Mês pela Conscientização do Autismo

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O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, decretado pela ONU em 2008 e celebrado a cada 02 de abril, foi criado com o objetivo de chamar a atenção da população para a importância de conhecer e derrubar preconceitos e estigmas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo.

“Respeito para todo o espectro”, é o tema da campanha nacional 2020/2021 que marca o mês da Conscientização do Autismo no Brasil. Nestes dois últimos anos, a instalação da pandemia da COVID-19, ainda em propagação no nosso país, e a consequente necessidade de isolamento social com suspenção de atividades presenciais em muitas regiões, dificultam o acesso a alguns tratamentos e terapias fundamentais para o desenvolvimento e saúde das pessoas com autismo.

No Tocantins, um dos principais centros de atendimento à crianças, adolescentes e adultos com autismo, a Clínica Escola Mundo Autista- CEMA de Araguaína, no momento encontra-se com as atividades presenciais suspensas em razão do Decreto Municipal 022/2021, que prorroga o estado de calamidade pública e situação de emergência, impondo medidas restritivas voltadas à contenção da curva de disseminação da Covid-19.

Diante destas condições determinadas pelo contexto de pandemia e entendendo que a Psicologia possui papel fundamental quanto ao desenvolvimento e a inserção social das pessoas com TEA, o Conselho Regional de Psicologia do Tocantins conversou com a psicóloga Keiliany Kellen de Jesus Sousa Lima (CRP 23/1453), profissional em atuação na CEMA de Araguaína, para trazer informações sobre os impactos da pandemia e possibilidades de atenção às pessoas com TEA neste cenário.

Keiliany explica que o quadro pandêmico tem provocado sofrimento tanto para os autistas quanto para os pais e responsáveis que neste cenário tentam garantir qualidade de vida e desenvolvimento aos seus. Segundo a psicóloga, que também é especializada em Atendimento Clínico e Sofrimento Psíquico, para reduzir esses efeitos na vida das pessoas com TEA o mais importante é criar ou manter uma rotina.

“Os autistas são extremamente sensíveis, qualquer alteração em suas rotinas pode trazer um agravamento ou desencadeamento de crises, então o ideal é construir uma rotina para eles, se possível mantendo atividades e horários já estabelecidos antes da pandemia, como por exemplo: horário das refeições, atividades escolares nos mesmos períodos em que eles frequentavam a escola, entre outros.”.

Keiliany destaca que também é essencial pensar a segurança das pessoas autistas em relação à contaminação por COVID-19:

“Autistas têm muito interesse pelo odor, sabor, texturas de objetos e alimentos, então os pais e responsáveis precisam ter atenção redobrada quanto à higienização dos alimentos e objetos diante do fator de contaminação. Evitando também o compartilhamento de objetos, porque nós sabemos que existe essa sensibilidade para o toque no objeto, o contato com a boca.”.

Estimular o contato com os familiares e com amigos através de ferramentas de interação virtual, é outra estratégia sugerida pela psicóloga para reduzir os efeitos do isolamento social na vida das pessoas com TEA. Além disso, Keiliany orienta aos pais ou demais responsáveis a estarem atentos ao brincar, explorar o mundo criativo, fazer cronograma de exercícios físicos na sala, no quintal, buscando atividades lúdicas através das quais eles também possam se desenvolver dentro de suas casas.

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