Confira a primeira entrevista da série “Fala, Psi!”

Fala Psi

Construir diálogos com os profissionais e ampliar a visibilidade da Psicologia no estado. Com esta proposta, o Conselho Regional de Psicologia 23ª Região (CRP-23) preparou a série de entrevistas “Fala, Psi!” com os primeiros profissionais psicólogos registrados no regional tocantinense.

Para iniciarmos a série, entrevistamos a psicóloga Ivaneide Ribeiro de Araújo São José, 53 anos, que é a 25ª profissional a se registrar no CRP-23. Natural de Goiás, Ivaneide graduou-se em Psicologia no ano de 1987 na PUC- Goiás, possui especialização em Gestão Organizacional, Desenvolvimento Humano e Coaching, é perita em Avaliação Psicológica e especialista em Formação Sócio econômico do Brasil. Atualmente, trabalha na Stímulus Clínica de Psicologia, em Paraíso do Tocantins-TO, em psicologia clínica e consultoria em recursos humanos.

A psicóloga, na conversa, falou sobre os desafios da profissão no Tocantins, os espaços que a Psicologia deve se apropriar e o cenário em que a área vive. Confira abaixo a entrevista:

CRP-23: Como a senhora escolheu a ciência da Psicologia para exercê-la como profissão?

Ivaneide: Quando fiz minha escolha, o acesso a informações sobre a psicologia era muito pouco. Fiz o curso técnico em Magistério onde tive meu primeiro contato com a disciplina Psicologia Moderna.

Me identifiquei com a matéria, apesar de não ser muito incentivada pela professora, ela falava que não era uma boa profissão, que não era valorizada e que as pessoas tinham muitos preconceitos em relação a busca de um tratamento.

O que me manteve firme no propósito foi a possibilidade de ajudar as pessoas a lidarem melhor com seus conflitos e desenvolverem os seus potenciais.

CRP-23: Como foi sua trajetória na Psicologia logo após a conclusão do curso?

Ivaneide: Quando me formei, montei a minha clínica e comecei a prestar serviço para o Detran-TO. Em 1988 comecei a clinicar, 1994 me afastei um pouco da clínica para ser diretora de uma instituição de ensino superior (FECIPAR) fiquei lá por 6 anos, quando fiz EMPRETEC e uma especialização em Desenvolvimento Sócio Econômico do Brasil, apesar de ser um tema muito distante da psicologia, consegui fazer o meu TCC com muitos dados da psicologia (Nível de ocorrência de estresse nas diferentes classes sociais).

Nessa pesquisa constatei o quanto a classe média necessita, mais que outras classes, de acompanhamento de um profissional de psicologia, uma vez que é uma classe que está sempre buscando uma vida melhor, e lida diariamente com o medo de diminuir o seu padrão de vida.

Em 2001 resolvi me dedicar exclusivamente ao consultório, me afastei do Detran-TO, deixei a direção da Faculdade e me dediquei a psicologia, apesar de nunca ter me afastado completamente. Comecei então a fazer curso na área organizacional também, entre eles MBA em Gestão Organizacional, Desenvolvimento Humano e Coaching.

Atualmente atuo na Clínica, tendo com linha de trabalho a Gestalt, sou Gerente de Desenvolvimento Humano Organizacional na concessionaria Santa Helena Peugeot e assessoro empresas.

CRP-23: Qual é sua visão sobre a Psicologia no Tocantins? No que precisamos avançar para contribuirmos ainda mais para a sociedade tocantinense?

Ivaneide: A Psicologia no Tocantins tem um mercado amplo para nossa atuação. Precisamos preencher melhor esse espaço e cobrar do poder público melhores condições de trabalho. Nunca me propus a pleitear uma vaga em instituições públicas pelo simples fato de considere que não são oferecidas condições para desenvolver um trabalho de qualidade.

Não podemos aceitar que temos que apresentar número acima de resultados. Entender que nosso trabalho tem como finalidade render resultados positivos na vida das pessoas e na sociedade. O psicólogo é um profissional que recebeu o dom de ajudar as pessoas e o meio a resignificar sua caminhada.

CRP-23: A senhora acredita que a Psicologia tem assumido os espaços atribuídos à área? Na sua opinião, em que podemos melhorar enquanto classe profissional?

Ivaneide: A Psicologia não tem assumido o seu espaço como deveria, onde há pessoas ali cabe um psicólogo. Mas um psicólogo que queira fazer diferença, temos muito que apresentar resultados em uma sociedade que precisa melhorar a sua motivação para a vida.

Temos que defender a classe com mais dedicação, merecemos respeito pelo nosso trabalho. Só que para isso é necessária uma postura séria, desenvolvendo um trabalho com foco na melhoria de qualidade de vida das pessoas.

O trabalho do psicólogo pode diminuir drasticamente as filas nos consultórios médicos, diminuir o índice de suicídio que vem ocorrendo com tanta frequência atualmente, principalmente entre jovens. Podemos realizar mais trabalhos voltados para as famílias que estão passando por um processo de desajustamento, para as escolas que não estão sabendo lidar com essa nova criança e novo jovem.

Não podemos ficar preocupados apenas em medir desempenho de uma criança, quando o seu déficit maior é de estrutura familiar.

CRP-23: Para a senhora, no cenário atual do país e do mundo, quais são os principais desafios do profissional psicólogo?

Ivaneide: O nosso maior desafio é provocar mudanças nesse cenário. É não nos deixar abater pela onda de pessimismo gerado pela crise econômica. Eu costumo falar que a crise tem o papel de nos leva a pensar um pouco mais no nosso lado afetivo e espiritual.  É na crise que nós temos que atuar com mais energia para transformar a forma de ver o mundo.

Nós temos que mostrar para a humanidade que a felicidade não pode estar vinculada a uma roupa nova, que a nossa alegria de viver tem sim que está vinculada a paz de espírito, que por mais importante que seja morar bem, viver bem com as pessoas com quem moramos está acima de qualquer coisa.

CRP-23: A senhora é realizada enquanto profissional psicóloga?

Ivaneide: Sim, sou realizada, não me imagino desenvolvendo outra profissão que não seja na área da psicologia.

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